sábado, 17 de setembro de 2011

Mitos - 17/09/2011


Alguns odeiam, outros evitam; alguns se manifestam, outros se calam; alguns atacam, outros toleram. Os homens heterossexuais, muito mais que as mulheres, têm dificuldade em conviver com os gays e, mesmo submetidos aos avanços inexoráveis dos costumes, com ou sem o crivo oficial, não sabem como agir diante do diferente.

 Alguns mitos, construídos em épocas de machismo mais exacerbado, ainda perduram nos chips cerebrais de certos cidadãos. O primeiro deles é que os gays estão sempre prontos, preparados e procurando uma oportunidade de transar. A partir disso, concluem que qualquer gay que se aproxime deles está à procura de sexo, independente de seus atributos de sedução. Assim, qualquer contato, físico ou não, um olhar ou um esbarrão no ônibus, é interpretado como uma tentativa de sedução. E daí a uma reação violenta, o caminho é curto.

 Outro mito é que não se deve tratá-los bem: isso pode ser mal interpretado pelas outras pessoas e pelos próprios gays. Ainda persiste a ideia equivocada de que um homem que se comporta com cordialidade no convívio com um homossexual desperta seus desejos sexuais e cria uma intimidade que fatalmente será mal interpretada. Ou, pior, os outros podem confundi-lo com um gay, pois, nessa lógica, somente tratamos bem os nossos iguais. Logo, se você é simpático com um homossexual, é grande a probabilidade de ser um deles. Assim, é preferível tratá-lo mal ou evitá-lo.

 Enfim, são inúmeros os mitos criados em nossa sociedade que dificultam o convívio dos homens heterossexuais com os gays. Isso revela uma falha na formação de nossos rapazes e, consequentemente, um elevado grau de insegurança de alguns homens em relação à sua identidade como macho. Mais que isso, expõe o seu temor diante de qualquer coisa que possa diminuir sua masculinidade, como acreditam que o fato de ser gay o faça.

 Há alguns anos, trabalho no mesmo espaço que outras centenas de pessoas, de todos os tipos: homens, mulheres, brancos e negros, jovens e velhos, gays ou não. Apesar desse contato diário, alguns colegas evitam até mesmo uma troca de olhares nos corredores, quiçá um cumprimento. A tal ponto de preferirem adiar o uso da toalete coletiva quando percebem que tem um gay ali.

 Eu os aconselho a relaxarem. Nem todos os homens são desejáveis e nem todos os gays os desejam. Nem todo lugar é erótico e nem toda hora é hora. E, se você acha que um cumprimento simpático é sinônimo de um convite sedutor, você precisa rever os seus valores.

 Camisinha sempre!

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