sábado, 21 de fevereiro de 2009

Beijo – 21/02/2009



Tudo começa com um beijo. Um beijinho doce ou aquele beijo que eu te dei e nunca, nunca mais esquecerei. Se o amor nos arranca do armário, o beijo nos denuncia. Beijos inocentes, roubados no recreio, no pique-esconde, a uva do "pêra-uva-ou-maçã". Beijos no bar, que nos desmascaram, denunciam. Beijos necessários que chocam como se nos penetrássemos em público. Língua com língua, num ato erótico, pornográfico. O beijo gay revolucionário, político, nossa bandeira sem mastro e sem tecido. O beijo entre homens que machuca como uma bala perdida, uma faca amolada, uma navalha na carne. Um gesto doce e espontâneo que nos causa tantos problemas.

Um professor de inglês de Brazlândia (DF) foi afastado das salas porque usou para ilustrar sua aula, uma música da cantora Katy Perry, onde ela conta sua experiência de ter beijado uma outra garota numa festa: "Eu beijei uma garota e gostei / Do gosto do seu batom de cereja".

Outro beijo mobilizou a comunidade LGBT de Salvador: dois jovens que se beijavam no shopping Iguatemi foram expulsos pela administração. Os homossexuais baianos decidiram protestar com um beijaço.

Quase diariamente duas meninas são expulsas do colégio, dois rapazes do bar, dois homens expostos porque se beijavam no Carnaval, mais dois agredidos na porta de casa. Sempre depois de um beijo.

Na TV, quem não se lembra de Clara e Rafaela, em "Mulheres Apaixonadas", cujo "selinho" só foi ao ar porque uma delas se vestiu de Romeu em cena com sua amada Julieta. Ou do não beijo entre Júnior e Zeca de "América" insinuado entre olhares e penumbras. Beijos de cinema, o beijo no asfalto, beijos manchetes de jornal, proibidos.

Foi por causa do beijo que a Lei Rosa, de Juiz de Fora, gerou tanta polêmica. Nada incomodou mais nos quase vinte artigos da lei municipal de maio de 2000 quanto a possibilidade de dois gays serem vistos se beijando na rua. A lei deu à cidade mineira notoriedade no respeito aos direitos dos homossexuais, mas o beijo ainda gera polêmica. "Como vou explicar para o meu filho dois homens se beijando?", argumentam os contrários, despreocupados em explicar a violência, as agressões, a corrupção à qual suas crianças se expõem cotidianamente e cujo fundamento não é amor, nem afeto, nem coisas tão simples de se explicar. São os que preferem ter um filho bandido a um veado. Os que não se beijam e nem sabem se beijar.


Camisinha sempre!

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