quinta-feira, 22 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Cardeal – 17/04/2010
A igreja
tem se valido de grupos já estigmatizados para desviar a atenção de seus erros
Lamentável
a declaração do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que
atribui as denúncias de pedofilia envolvendo membros da Igreja Católica à
homossexualidade dos padres.
Apesar
dos estudos que mostram que 85% dos abusos cometidos contra crianças não são
praticados por padres, mas, sim, por parentes das vítimas, vizinhos, babás ou
amigos da família, o envolvimento sexual entre sacerdotes e crianças, sejam
meninos ou meninas, desperta nos pais um sentimento de cumplicidade
involuntária e revolta. Como se entregassem a guarda de seus ovos à raposa.
Afinal, são os pais que encaminham essas crianças para o convívio com a igreja,
como parte do processo de educação de seus filhos.
Quantos
de nós já fomos estimulados - senão obrigados - a participar das aulas de
catecismo, a colaborar como coroinhas, a nos inserir nos grupos de jovens, no
coro, nos acampamentos, ou simplesmente sermos frequentadores regulares das
missas de domingo? Sem contar a confiança cega exigida nos confessionários.
Paradoxalmente, não são raros os pais que, ao se depararem com a
homossexualidade de seus filhos, procuram os conselhos e orientação de um
padre.
Vincular
homossexualidade com pedofilia, como tentou fazer o cardeal, é uma tentativa
torpe de reduzir a gravidade dos crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes
cometidos por sacerdotes e deslocar a indignação da população e sua revolta
para os já estigmatizados LGBT. Os dados disponíveis nos mostram que, entre a
população em geral, a maioria das vítimas é de garotas. Mesmo que entre os
padres a situação se inverta e o número de meninos abusados chegue a ser quatro
ou cinco vezes maior que o de meninas, isso não significa que exista qualquer
ligação entre orientação homossexual e a patologia mental chamada pedofilia.
A
igreja tem se valido de grupos já socialmente estigmatizados para desviar a
atenção de seus erros. Já o fez - e ainda faz - com as prostitutas, enquanto
seus pastores se refestelam em suas alcovas. Já condenou as pessoas vivendo com
Aids, atribuindo-lhes a culpa pela epidemia, enquanto cresce o número de
sacerdotes infectados pelo HIV. E, mais uma vez, atribui aos homossexuais a
responsabilidade pela incontinência dos desejos eróticos ou dos desvios de
conduta de alguns de seus padres.
Camisinha
sempre!
sábado, 10 de abril de 2010
Silencio - 10/04/2010
Eu era estudante universitário quando nosso país vivia sob a égide
do regime de exceção. Pesavam sobre nós o autoritarismo, o AI-5 e a censura,
comandada na época pelo Ministro Armando Falcão, que, em nome do governo,
submetia os órgãos de imprensa a rigoroso controle prévio: criticas ao regime e
denúncias que expusessem as falhas da ditadura simplesmente eram suprimidas
pelas canetas dos censores do Ministério da Justiça.
Naquela época, além de dar
as notícias, os jornais tinham que escapar dos cortes dos censores. “Um olho no
fósforo, outro na fagulha”. As redações viviam em constante apreensão, tentando
entender um jogo com regras tendenciosas e pouco claras. Muitas foram as formas
de protesto utilizada pelos jornalistas: páginas em branco, receitas de bolo no
lugar das notícias, anúncios de utilidade pública ou artigos inocentes
preparados de última hora.
Com o fim da ditadura e da
censura estatal, o controle da informação não acabou, mas mudou de roupa: o
belicismo militar e a ameaça das armas de fogo deram lugar ao jogo de
influências e à conjugação de interesses econômicos e políticos. A tesoura dos
novos censores corta a verba publicitária ou se baliza numa troca de favores
que no final define a seriedade dos veículos e, consequentemente, sua credibilidade.
Porém, a estratégia do
"abafa o caso" adotada por aqueles que querem controlar a imprensa
extrapola a redação dos veículos de comunicação. Ela alcança o profissional, o
jornalista, suas atividades particulares e por vezes ameaça atingi-lo em sua
vida pessoal. Mais uma vez, sua seriedade e senso ético definem seu grau de
credibilidade.
O acesso à informação é um
direito do cidadão e ferramenta essencial para o exercício do controle social.
Ameaças e coações não podem voltar à cena e se colocarem acima do compromisso
jornalístico com a verdade. Quando um gestor público se sente atingido por
críticas, sejam da imprensa ou mesmo dos movimentos sociais, deve combatê-las
com informações que as revertam em elogios. Pelo menos é isso que se espera de
um governo democrático.
Camisinha sempre!
sábado, 3 de abril de 2010
Dourado - 03/04/2010
Desde terça-feira, ou mesmo antes disso, toda a mídia gay se
dedica a entender e analisar os acontecimentos que levaram o lutador Marcelo
Dourado a vencer a décima edição do "Big Brother Brasil", avalizando
na TV o que há de pior no homem heterossexual machista. Por que a sociedade
brasileira votou para eleger um homem grosseiro, mal-educado, ríspido,
violento, dissimulado, fingido, antidemocrático e prepotente e outorgou-lhe o
direito de gastar R$ 1,5 milhão consigo mesmo e com os seus?
Como bem disse a
"sister" lésbica mineira Ana Angélica, ao comentar o resultado do
telejogo, "nem sempre a maioria faz a coisa certa". Nós, brasileiros,
sabemos bem disso. De imediato, me ocorre a eleição de Fernando Collor para
presidente do país, um equívoco da maioria, que comemorou a vitória embalada
pelo confisco de sua poupança. Em Minas, o movimento LGBT também conhece esse
sabor: até hoje, amarga uma indicação errada para levar adiante ações de
promoção da cidadania gay no governo do Estado. Acabou presenteando uma pessoa
incompetente com um cabide de emprego improdutivo e mal intencionado.
O conflito escolhido pela TV
Globo para estrelar o "BBB" 10 - a homofobia versus os homossexuais -
acabou revelando o quanto ainda vivemos numa sociedade preconceituosa, que
perdoa a violência, as grosserias, mas não perdoa a diferença. Maior espanto,
muitas mulheres saíram em defesa de Marcelo Dourado, condescendentes com seus
defeitos e suas reações violentas, endossando o machismo e ignorando sua
opressão. De volta à triste polêmica do funk no qual "um tapinha não
dói", "as cachorras" aceitam e se deliciam com o lugar que lhes
é reservado. "Tá tudo dominado!".
A vitória de Marcelo Dourado
nos traz a sensação de um Lex Luthor vencendo o Super-Homem, ou um Pinguim
derrotando o Batman. O vilão vence o mocinho; a guerra, a paz. Não que Dicésar,
Serginho ou Angélica sejam personificações do bem, enquanto Dourado, Lia e seus
asseclas, do mal. Os gays daquela casa muitas vezes mostraram despreparo para a
defesa de seus direitos e pouco conhecimento sobre os meandros das fileiras
contra a homofobia. Apesar disso, souberam nos orgulhar ao se mostrarem
pacifistas, conciliadores, democráticos, por mais que os cortes e remendos das
edições globais sugerissem o contrário.
Por aqui, torcemos muito,
votamos muito e nos envolvemos nos debates provocados pelos programetes
diários. Apesar do final do "BBB" 10, nossa torcida continua para que
o homofóbico Marcelo Dourado se dedique a gastar seu prêmio e evite expor sua
personalidade como um modelo a ser seguido.
Camisinha sempre!
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